Filme Um Crime Americano Critical Thinking

"À primeira vista, certos filmes de David Lynch parecem não fazer sentido. Acontecem coisas como um personagem entrar no quarto com certa identidade e sair com outra. Em "História Real" isso não acontece. Um homem monta um cortador de grama e atravessa quilômetros e quilômetros a fim de ver seu irmão. Tudo segue do começo a fim sem tropeços identitários ou coisas assim. No entanto, será que faz sentido - e em que nível - uma operação dessa natureza? E que sentido fazem gestos análogos (como as peregrinações)? Por que certos grandes sacrifícios parecem nos purificar? Nada disso é muito claro, embora nossa crença numa certa ordem narrativa inspire confiança nessa história de aceita-la como real." (* Inácio Araujo *)

"Porque é verdade que nunca me liguei nos filmes do David Lynch. Não me encantei com Homem Elefante, detestei Duna, achei Veludo Azul um tanto enjoado e assim por diante. Me parecia que eram filmes um tanto feios - pela combinação de cores, pela evolução, pelas pessoas. É um pouco como se fossem quadros do Francis Bacon. E sempre fiquei um tanto inquieto com o artificialismo que existe nos filmes. E com um lado que parece sempre estar cotejando o momento, a moda, a modernidade. Bem: quando veio o Estrada Perdida eu fiquei boquiaberto. Não sei se ele evoluiu (acho que sim) ou eu. O fato é que Estrada criou uma coisa diferente, que era um labirinto, essa desmontagem dos personagens, que de repente se duplicavam etc. E depois veio Straight Story, "Uma História Real", se não me engano, que era o mesmo labirinto, mas em linha reta. E finalmente aquele, estranhíssimo, Cidade dos Sonhos. Eu fiquei ligado, mas não conseguia distinguir o sentido. Fiquei, como todo mundo, procurando simetrias que não existem. Percebi que existia uma outra lógica aí dentro, de sonho, mas não sabia como ela se dispunha. Foi um texto do Vladimir Safatle, professor de filosofia que pegou o coração do enigma (mas não o eliminou). Então, meu ponto de vista sobre o Lynch mudou mesmo. Revi alguma coisa anterior dele e me parece que ele também conseguiu chegar, nos últimos filmes, a uma forma mais dominada, mais madura. De todo modo, gosto mais de Veludo Azul hoje do que no passado. Se é o melhor ou maior cineasta vivo? Isso não vem ao caso. Falei o nome dele como poderiam ter sido dez outros. Acho que é um cineasta ainda por decifrar, que tem algo de muito especial a dizer, muito inovador. Como o Kiarostami, o DePalma, o Cronenberg e vários outros. Mas, para mim, mais recente um pouco." (** Inácio Araujo **)

''À primeira vista, "História Real" destoa completamente da obra, ao menos a mais recente, de David Lynch. Não há nenhum mistério ou quebra-cabeça, tudo é simples, linear. Mas espera um pouco. Um homem que, montado num cortador de grama, atravessa milhas a fim de encontrar o irmão, doente, que não vê há muito tempo, e fazer as pazes -tem algo de estranho nisso. E de Lynch pode-se dizer que seus filmes são como sonhos - por que imaginar que sonhos não acontecem em linha reta? Ou que labirintos não existam em linha reta? Só para alimentar nosso gosto pelo não-linear? O mundo é claro e direto para esse homem, Alvin. Mas esse homem é um mistério." (*** Inácio Araujo ***)

''O que têm de tão lancinante os filmes de David Lynch? É difícil compreender como alguém passa de "História Real" para Cidade dos Sonhos (ou vice-versa). Mas, olhando com um pouco mais de cuidado, será tão simples e direta assim a história de Alvin Straight? Em Iowa, onde mora, ele recebe a notícia de que o irmão, com quem teve um desentendimento, está à beira da morte. Ele decide que precisa voltar a falar com o irmão antes que isso aconteça. Só que o irmão mora longe, no Wisconsin, e Alvin não tem outro meio de locomoção a não ser seu cortador de grama. É nesse cortador de grama, portanto, que ele começa sua travessia. Simples, mas não tanto. Ao ver as imagens do homem montado em seu veículo, imediatamente pensamos nos romeiros e suas promessas por cumprir. Existe uma promessa, ainda que laica, na proposição de Alvin. Um reencontro com o irmão carrega a idéia de redenção. Depois, quase todos temos relações ambíguas com nossos próximos. Os amamos e odiamos ao mesmo tempo. Essa morte anunciada permite passar a limpo as desavenças e ficar só com os afetos. Nós, na platéia, nos identificamos com o personagem, partilhamos sua aflição, mas, também, sua determinação de romeiro. Mesmo porque toda vida tem um tanto de milagre. De promessa e de algo maravilhoso que se cumpre. Então a história nos comove. Mas será tão simples? Todo o tempo em que a pequena figura aparece na paisagem é possível pensar no gesto do homem por sua complexidade -não pelo que tem de imediato, direto e simples. Assim como em Cidade dos Sonhos ou Estrada Perdida, o sentido parece recusar-se a assentar, a entregar-se ao espectador de todo. Desta vez não é a narrativa que tem, possivelmente, algo de indecifrável. É a vida mesmo." (**** Inácio Araujo ****)

"A jornada solitária de um velho ao atravessar o seu país no que se converte numa viagem interior digna dos grandes road movies e filmes sobre a velhice em geral. Muito próximo de ser o melhor do seu diretor." (Vlademir Lazo)

"Para aqueles que não simpatizam com o cinema confuso de Lynch, eis aqui um exemplar mais sóbrio e tocante na filmografia do cineasta. Mais do que isso, é uma prova do amadurecimento que marcou sua carreira na segunda metade da década de 1990." (Heitor Romero)

72*2000 Oscar / 57*2000 Globo

Kill Your Darlings (no Brasil e em Portugal: Versos de um Crime[3]) é um filme de dramabiográficonorte-americano dirigido por John Krokidas. Trata-se do trabalho de estreia de Krokidas, sendo apresentado mundialmente pela primeira vez no Festival Sundance de Cinema de 2013, no qual foi recebido com reações positivas.

Estrelado por Daniel Radcliffe, Dane DeHaan, Michael C. Hall e Jack Huston, o longa-metragem concentra-se nos tempos de faculdade de alguns dos primeiros membros da Geração Beat, mostrando seus anseios, primeiras interações, e um assassinato chocante que ocorreu no período. O filme foi lançado com distribuição limitada nos cinemas dos Estados Unidos a 16 de outubro de 2013, com diversas datas de estreia em outros países agendadas para os meses subsequentes.[4]

Enredo[editar | editar código-fonte]

O assassinato de David Kammerer faz com que três dos poetas mais famosos da geração beat se aproximem: Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs. [5]

Daniel Radcliffe no filme[editar | editar código-fonte]

Em 2008, enquanto estava em cartaz com a peça de teatro Equus, Daniel Radcliffe chegou a participar dos testes para o filme e conseguiu o papel de Allen Ginsberg. Contudo, devido às filmagens dos dois últimos filmes da saga Harry Potter (Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 e Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2), Daniel acabou não entrando nas filmagens iniciais, que chegaram a ser feitas com Chris Evans, Jesse Eisenberg, e Ben Whishaw. Porém, o financiamento para o filme na época foi cortado e o filme cancelado. Quando John Krokidas resolveu voltar a filmar o filme ele convidou Daniel para o papel de Allen Ginsberg e ele prontamente aceitou. [6]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Opinião da crítica[editar | editar código-fonte]

Kill your Darlings recebeu opiniões favoráveis da maioria dos críticos, obtendo a pontuação máxima que um filme pode receber no site estadunidense especializado em cinema Rotten Tomatoes, com média oito de 10, baseada nas opiniões contidas em sete diferentes resenhas sobre o filme. [7]

Após assistir ao filme na edição de 2013 do Sundance Film Festival, Damon Wise, crítico do jornal estadunidense The Guardian, disse que o filme era “bastante verossímil e mostrou de fato como foi o começo do movimento da contracultura estadunidense na literatura do século XX [...] O filme passa uma paixão e energia incríveis ao mostrar artistas não escrevendo e criando, mas em suas ações cotidianas, conversando,desenvolvendo suas idéias e incentivando uns aos outros para sempre tentarem inovar em sua arte.” “Embora ele comece com o mistério de um assassinato”, continua Damon,” Kill Your Darlings está mais para um daqueles filmes que nos fazem refletir, é uma descrição perfeita de seu tempo e que ainda assim soa incrivelmente atual.” Em sua resenha sobre o filme, Damon Wise congratulou-o com quatro de cinco estrelas. [8]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Kill Your Darlings venceu na categoria de melhor diretor no Palm Springs International Film Festival de 2013[9] e foi indicado à categoria de Grande Prémio do Júri no Sundance Film Festival, mas não chegou a vencê-lo.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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